terça-feira, 17 de março de 2009

Restolho

Gosto da música que a Mafalda Veiga compõe e interpreta. Gosto desta canção, em especial do poema. Em dias de muita azáfama e de acontecimentos importantes procuro os livros, os de poesia em particular, para serenar e melhor sintonizar na vida, na beleza e no sentido do que vai acontecendo. Temo que tudo passe demasiado depressa e que seja só "existir sem mais nada"...

Geme o restolho, triste e solitário
a embalar a noite escura e fria
e a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário

Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem cor e sem vontade

Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda


Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração

1 comentário:

Isabel disse...

Também gosto muito!
Mais uma coisa que temos em comum ;)
Beijinhos